Então São 2 ou 6 ?


É o vigésimo sexto de uma sucessão infalível de celebrações anuais – e se, há dez anos, eu tinha expectativas completamente diferentes para esta pessoa que me tornei com o avançar do calendário, hoje em dia eu ainda fico contente quando encontro algum resquício da Sofi que fui numa época em que os  dezasseis anos se comemoravam ainda toda a família reunida. Não sobrou muita coisa dessa época além de diários e fotos  e o número é menor se eu contasse só as coisas que me orgulho em mostrar para o mundo.
O Meu aniversário é uma delas.
O Meu pai sempre adotou o hábito de comemorar a data com uma festa, fosse ela composta por bolo, champomy e meus padrinhos como únicos convidados (quatro anos) ou com imensos balões de todas as cores iguais a arco-iris, uma mesa toda decorada de brigadeiro e sugus e TODAS as crianças da rua e arredores brincavam a tarde inteira (cinco anos). O conceito de comemoração nunca foi muito exigente, mas sempre envolvia algum tipo de presente, comida especial e, talvez, a coisa mais importante: o som da escola que sempre anunciava os aniversariantes do dia e vinha acompanhando um cartão e eu fazia anos nas férias de Verão. 09 de Setembro sempre foi o meu dia – que felizmente nunca precisei dividir com ninguém - aquele em que as pessoas (mesmo as que não gostavam muito de mim) cantavam parabéns e me abraçavam; uma data quase arbitrária, não fosse o fato de que eu estava ali, a completar mais uma volta em torno do Sol, e isso aparentemente era muito notável. Comemorar aniversários tornou-se uma coisa importante para mim, ao ponto de que, aos doze anos, eu preenchi a minha agenda com caneta glitter todos os aniversários dos meus colegas da sala, pessoas importantes e as minhas celebridades preferidas. Aquele era o dia especial daquelas pessoas. Elas mereciam ser lembradas, mimadas, celebradas – mesmo das piores formas, como quando a minha turma de melhores-amigas-incríveis decidiu que era uma boa ideia adotar a tradição de ovos com farinha (quinze anos). Eu não tive uma festa rosa, mas sempre odiei a cor.
Terminar a escola não me fez dar menos importância para o meu aniversário – eu diria que o efeito foi o contrário, porque me tornar adulta mostrou-me, entre outras coisas, que eu definitivamente mereço comemorar mais 365 dias sobrevivendo e, de preferência, com glitter na cara, cantando sem restrições ou com um prato de chocolates só para mim. Já faz algum tempo que o mundo tenta me dissuadir disso, como no Pior Aniversário de Todos, em que eu passei o dia sozinha numa cidade estranha e chorei a noite toda (vinte).
Eu nunca tive medo de envelhecer e, embora seja muito mais engraçado a euforia dos 18 anos que para mim foi apenas isso 18 anos. É claro que agora estou numa faixa etária para qual existem cremes anti-idade e é assustador somar um ano a mais na conta e receber mais um carimbo no passaporte da vida adulta, mostrando que tu já não és mais nenhuma caloira nessa montanha russa infernal mas sinto-me ansiosa para dar mais um passeio e descobrir o que é que essa versão. Estou aqui, a olhar para as fotos de aniversários passados, rindo dos cortes de cabelo horrorosos e escolhas terríveis de maquiagem e companhias, comemorando o fato de que, a cada 09 de Setembro que o Sol volta a encontrar-me na mesma posição, ele me vê um pouquinho melhor.
São tantas as razões demais para comemorar, e penso que a principal delas é simplesmente para te sentires especial. Isso não é brincadeira – muito pelo contrário - e eu quero poder fazer isso uma vez por ano sem reprimendas, cercada pelas minhas pessoas favoritas na Terra.
Hoje é meu aniversário - e obrigada pelos parabéns!!

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